Tudo o Que Você Precisa Saber Antes de Assinar um Contrato de Cessão de Precatório
Entenda tudo sobre cessão de precatórios: riscos, direitos e cláusulas essenciais antes de assinar. Compare propostas e verifique a idoneidade do cessionário. Proteja seu investimento!

Você já passou por um processo judicial contra o poder público e tem direito a um precatório, mas não quer esperar anos para receber? A alternativa da cessão de precatório pode ser uma solução para antecipar esse valor. No entanto, antes de assinar qualquer contrato, é fundamental entender todos os aspectos envolvidos nessa negociação. Um contrato de cessão de precatório é um documento sério que transfere seus direitos creditórios para outra parte, e saber analisá-lo pode ser a diferença entre uma transação segura e problemas futuros.
Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o que você deve verificar antes de assinar um contrato de cessão de precatório. Abordaremos desde o entendimento básico do que é um precatório e como funciona a cessão, até as cláusulas essenciais que devem estar presentes no documento, os riscos envolvidos e como se proteger adequadamente.
O que é um Precatório e Por Que Pessoas Optam pela Cessão?
Definição e tipos de precatórios
Um precatório é uma ordem de pagamento emitida pelo Poder Judiciário para que o governo (federal, estadual ou municipal) pague uma dívida resultante de condenação judicial. São instrumentos que representam valores devidos pelo Estado a cidadãos ou empresas após o trânsito em julgado de processos judiciais.
Os precatórios podem ser classificados em:
- Federais: Emitidos contra a União Federal
- Estaduais: Emitidos contra estados
- Municipais: Emitidos contra municípios
Além disso, eles também são categorizados conforme sua natureza:
- Alimentares: Relacionados a salários, benefícios previdenciários, indenizações por morte ou invalidez
- Comuns: Todos os demais tipos, como desapropriações e outras dívidas
Motivos que levam à cessão de precatórios
Muitas pessoas optam por ceder seus precatórios devido a:
- Prazo de espera prolongado: O pagamento de um precatório pode demorar anos ou até décadas, dependendo da fila de pagamento do ente devedor.
- Necessidade imediata de recursos: Problemas de saúde, oportunidades de investimento ou outras urgências financeiras.
- Incerteza sobre mudanças legislativas: Receio de alterações nas regras de pagamento de precatórios.
- Evitar complicações burocráticas: Simplificar o processo de recebimento, evitando acompanhar a fila de pagamentos por anos.
Como explica este artigo sobre antecipação de precatórios, muitos credores preferem receber um valor menor, porém imediato, do que aguardar o pagamento integral após anos de espera.
Entendendo a Cessão de Precatório
O que é a cessão de precatório?
A cessão de precatório é uma operação jurídica prevista no artigo 286 do Código Civil Brasileiro, que permite a transferência do direito creditório de receber valores de um precatório. Através desse procedimento, o titular original do crédito (cedente) transfere para terceiro (cessionário) o direito de receber os valores devidos pelo poder público.
Esta operação envolve um deságio, que é a diferença entre o valor total do precatório e o montante que o cessionário paga ao cedente. O deságio funciona como uma espécie de "desconto" pelo adiantamento dos recursos e pelos riscos assumidos pelo comprador.
Base legal e requisitos formais
A possibilidade de cessão de precatório está fundamentada nos seguintes dispositivos:
- Art. 286 do Código Civil: Estabelece que "o credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor".
- Art. 100, § 13 da Constituição Federal: Prevê expressamente que "o credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros, independentemente da concordância do devedor".
- Resolução 303/2019 do CNJ: Regulamenta diversos aspectos relacionados à gestão de precatórios, incluindo procedimentos para a cessão.
Para que a cessão seja válida, é necessário observar certos requisitos formais:
- Instrumento público ou particular: Dependendo do valor e do tipo de precatório, pode ser exigida escritura pública.
- Comunicação ao tribunal: A cessão deve ser comunicada ao juízo responsável pelo precatório.
- Homologação judicial: Em muitos casos, é necessária a homologação judicial para que a cessão produza efeitos.
Aspectos Essenciais a Verificar no Contrato de Cessão
Verificação da identidade e credibilidade do cessionário
Antes de assinar qualquer documento, é crucial verificar quem está comprando seu precatório:
- Pesquise a reputação da empresa: Consulte o Procon, Reclame Aqui e processos judiciais envolvendo a empresa.
- Verifique o CNPJ: Confirme se a empresa está regularmente constituída e ativa na Receita Federal.
- Busque referências: Procure por outros cedentes que já negociaram com a mesma empresa.
- Analise o tempo de mercado: Empresas mais consolidadas tendem a oferecer mais segurança.
Como ressalta este artigo sobre como evitar golpes com precatórios, a verificação prévia da idoneidade da empresa é fundamental para evitar fraudes.
Análise do valor oferecido versus valor de mercado
O deságio aplicado na cessão de precatórios varia conforme diversos fatores:
- Prazo estimado para pagamento: Quanto mais próximo o pagamento estiver na fila cronológica, menor tende a ser o deságio.
- Ente devedor: Precatórios federais geralmente têm deságios menores que estaduais ou municipais.
- Natureza do precatório: Alimentares costumam ter deságio menor que os comuns.
- Valor do precatório: Valores muito altos podem ter deságios diferenciados.
É recomendável comparar propostas de diferentes empresas. Este artigo sobre o desagio na venda de precatórios explica que os percentuais podem variar significativamente, geralmente entre 30% e 60% do valor total, dependendo das circunstâncias.
Cláusulas Essenciais que Devem Constar no Contrato
Identificação completa das partes e do precatório
Um contrato de cessão bem elaborado deve conter:
- Dados completos do cedente: Nome, CPF/CNPJ, endereço, dados bancários.
- Dados completos do cessionário: Razão social, CNPJ, endereço, representantes legais.
- Informações detalhadas do precatório:
Número do precatório - Processo de origem
- Vara e tribunal
- Ente devedor
- Valor atualizado
- Posição na ordem cronológica (quando disponível)
Valor, forma de pagamento e condições específicas
Estas cláusulas são cruciais para evitar problemas futuros:
- Valor da cessão: Especificar claramente o valor a ser pago pelo cessionário.
- Forma de pagamento: Detalhamento de como o pagamento será realizado (à vista, parcelado, etc.).
- Prazo para pagamento: Estabelecer quando o cedente receberá os valores acordados.
- Correção monetária: Prever eventuais atualizações caso haja parcelamento.
- Condições suspensivas ou resolutivas: Condições que podem afetar a validade do contrato.
Responsabilidades das partes após a cessão
O contrato deve definir claramente:
- Quem será responsável pelo acompanhamento do processo: Muitas vezes, o cessionário assume essa responsabilidade.
- Obrigações de colaboração do cedente: Como fornecer documentos ou comparecer a audiências se necessário.
- Responsabilidade por tributos: Definição sobre quem arcará com impostos decorrentes da operação.
- Garantias oferecidas: Especificar eventuais garantias adicionais fornecidas pelo cedente ou cessionário.
Riscos e Precauções na Cessão de Precatórios
Principais riscos envolvidos na operação
Ao considerar a cessão de um precatório, esteja ciente dos seguintes riscos:
- Deságio elevado: Você receberá significativamente menos do que o valor total do precatório.
- Fraudes e golpes: Existem muitos esquemas fraudulentos envolvendo a compra de precatórios.
- Empresas sem capacidade financeira: Algumas empresas oferecem boas condições, mas não têm capital para honrar o pagamento.
- Cláusulas abusivas: Condições contratuais que prejudicam excessivamente o cedente.
- Responsabilização futura: Se o contrato não for bem elaborado, o cedente pode ser responsabilizado por problemas futuros com o precatório.
Como se proteger adequadamente
Para minimizar os riscos, adote estas medidas:
- Consulte um advogado especializado: Antes de assinar qualquer documento, busque assessoria jurídica específica em precatórios.
- Exija transparência total: Todas as condições devem estar claramente expressas no contrato.
- Verifique a documentação da empresa: Solicite comprovação de regularidade fiscal e outros documentos que atestem a capacidade financeira.
- Compare propostas: Não aceite a primeira oferta; busque alternativas no mercado.
- Leia atentamente o contrato: Não assine documentos sem compreender todas as cláusulas.
Neste artigo sobre vender precatório com segurança, você encontra outras recomendações importantes para garantir uma transação segura.
Formalização e Registro do Contrato de Cessão
A questão da escritura pública versus instrumento particular
Existe uma discussão jurídica sobre a necessidade de escritura pública para a cessão de precatórios:
- Escritura pública: Lavrada em cartório de notas por um tabelião.
Vantagens: Maior segurança jurídica, fé pública, verificação da capacidade das partes. - Desvantagens: Custo mais elevado, processo mais demorado.
- Instrumento particular: Documento privado assinado entre as partes.
Vantagens: Menor custo, maior agilidade. - Desvantagens: Menor segurança jurídica, possibilidade de questionamento futuro.
A Resolução CNJ 303/2019 e normativas da AGU/PGFN têm caminhado no sentido de exigir escritura pública, especialmente para precatórios federais, como forma de prevenir fraudes.
Comunicação ao tribunal e homologação judicial
Após a formalização do contrato, são necessários os seguintes passos:
- Peticionamento ao juízo: Comunicação formal sobre a cessão realizada.
- Apresentação do contrato: O contrato de cessão deve ser apresentado ao tribunal.
- Verificação de regularidade: O tribunal verificará a validade formal do documento.
- Homologação: Após análise, o juízo competente homologará a cessão.
- Alteração na titularidade do crédito: O tribunal atualizará seus registros, indicando o novo titular do precatório.
Esse processo é fundamental para garantir que o pagamento, quando liberado, seja direcionado ao cessionário. Neste artigo sobre como transformar precatório em dinheiro, você pode conhecer mais detalhes sobre o procedimento formal de cessão.
Alternativas à Cessão Total do Precatório
Cessão parcial e outras modalidades
Existem alternativas à cessão total que podem ser mais vantajosas em certas situações:
- Cessão parcial: Você cede apenas parte do valor do precatório, mantendo o direito sobre o restante.
- Antecipação com garantia: Algumas instituições oferecem empréstimos tendo o precatório como garantia.
- Acordos diretos: Alguns entes públicos oferecem acordos diretos com deságio menor que o mercado privado.
- Parcerias com investidores: Arranjos em que o titular compartilha o valor futuro com investidores que antecipam parte do montante.
Quando vale a pena aguardar o pagamento na ordem cronológica
Em algumas situações, pode ser mais vantajoso esperar:
- Se o precatório estiver próximo na fila de pagamentos
- Se você tiver preferência legal (idoso, portador de doença grave)
- Se o deságio oferecido for muito elevado
- Se sua necessidade financeira não for urgente
Como explica este artigo sobre investir o valor do precatório após recebê-lo, aguardar pode ser uma estratégia financeiramente mais vantajosa em certos casos, principalmente se você puder investir o valor integral recebido.
Aspectos Fiscais e Tributários
Incidência de imposto de renda e outros tributos
A tributação na cessão de precatórios é um tema complexo:
- Imposto de Renda: Pode incidir sobre o valor recebido, dependendo da natureza do precatório e da situação específica do cedente.
- IOF: Em algumas operações estruturadas como financeiras, pode haver incidência de IOF.
- Outros tributos: Dependendo da estrutura da operação, podem incidir outros tributos.
É importante consultar um contador ou advogado tributarista para entender a incidência específica de tributos no seu caso. Este artigo sobre quais impostos incidem em precatórios traz informações valiosas sobre esse tema.
Obrigações acessórias e documentação fiscal
Além do pagamento de tributos, é necessário observar:
- Declaração de ganhos: O valor recebido deve ser declarado no Imposto de Renda.
- Retenções na fonte: Verificar se haverá retenções de impostos pelo cessionário.
- Comprovantes e recibos: Guarde todos os documentos relacionados à operação.
- Informes para a Receita Federal: Em alguns casos, a operação precisa ser informada em declarações específicas.
Empresas Especializadas em Cessão de Precatórios
Como identificar empresas idôneas
Para escolher uma empresa confiável, verifique:
- Histórico no mercado: Quanto tempo a empresa atua no segmento de precatórios.
- Referências de clientes: Busque depoimentos de outros cedentes.
- Processos judiciais: Pesquise se a empresa tem muitos processos como ré.
- Transparência nas condições: Empresas sérias apresentam claramente suas condições de negociação.
- Registro e regularidade: Verifique se a empresa está regularmente constituída e registrada.
Este artigo sobre a melhor empresa para vender precatórios oferece diretrizes importantes para essa escolha.
O papel do assessor jurídico na negociação
Um advogado especializado pode ajudar:
- Analisando o contrato: Identificação de cláusulas abusivas ou problemas jurídicos.
- Avaliando a proposta: Verificação se o valor oferecido está dentro da realidade do mercado.
- Conduzindo a negociação: Representação dos interesses do cedente nas tratativas.
- Acompanhando o processo: Garantia de que todos os procedimentos sejam seguidos corretamente.
O custo com assessoria jurídica deve ser visto como investimento, não como despesa, pois pode evitar prejuízos muito maiores no futuro.
Comentário do Especialista Juspago
"Após mais de uma década trabalhando com precatórios, posso afirmar categoricamente: a análise cuidadosa do contrato de cessão é a etapa mais importante de todo o processo. Já vi pessoas perderem valores significativos por não lerem as 'letras miúdas' ou por confiarem em empresas sem histórico comprovado. O mercado de precatórios no Brasil ainda tem muitas armadilhas.
Uma dica que sempre dou: se a oferta parecer boa demais para ser verdade, provavelmente é. Empresas sérias trabalham com margens realistas, considerando o risco da operação. Ninguém vai oferecer 90% do valor de um precatório que está na fila para ser pago em 5 anos, por exemplo. Isso simplesmente não faz sentido financeiro.
E por favor, não economize na assessoria jurídica! É como economizar no paraquedas: você só descobre o problema quando é tarde demais. Um bom advogado especialista em precatórios pode identificar cláusulas problemáticas que passariam despercebidas para a maioria das pessoas."
Vinícius Teixeira, especialista em Precatórios da Juspago
Casos Reais e Lições Aprendidas
Exemplos de cessões bem-sucedidas
Caso 1: Precatório Federal com Pagamento Próximo
Uma professora aposentada tinha um precatório federal de R$ 220.000,00 com previsão de pagamento em 18 meses. Ela optou pela cessão para realizar um sonho antigo: comprar uma casa de praia. Após negociar com três empresas diferentes, conseguiu um deságio de 25%, recebendo R$ 165.000,00 à vista. A transação foi formalizada por escritura pública, comunicada ao tribunal e o pagamento foi realizado em 5 dias úteis após a homologação judicial.
Caso 2: Precatório Estadual para Tratamento de Saúde
Um aposentado com problema cardíaco grave precisava realizar uma cirurgia não coberta pelo SUS. Com um precatório estadual de R$ 95.000,00 na fila há anos, optou pela cessão parcial. Cedeu 60% do valor, recebendo R$ 38.000,00 (com deságio de 33%) para o tratamento, e manteve 40% do crédito para receber futuramente.
Problemas comuns e como evitá-los
Armadilha 1: Pagamento condicionado à liberação
Uma empresa ofereceu "pequeno deságio" para um precatório municipal, mas o contrato previa que o pagamento ao cedente só ocorreria quando o município liberasse o valor. O cedente descobriu depois que o município estava com os pagamentos atrasados há mais de 8 anos.
Como evitar: Verifique se o pagamento a você está condicionado à liberação pelo ente devedor. Empresas sérias assumem o risco da espera.
Armadilha 2: Deságio camuflado em taxas
Uma empresa anunciava "o menor deságio do mercado", mas cobrava diversas taxas administrativas, de avaliação e seguro, que somadas superavam 20% do valor do precatório, além do deságio "oficial" de 30%.
Como evitar: Calcule o valor líquido que você receberá considerando todas as taxas e custos envolvidos.
Armadilha 3: Contratos sem homologação judicial
Um cedente assinou contrato, recebeu o valor combinado, mas a empresa nunca comunicou a cessão ao tribunal. Quando o precatório foi pago, o valor foi liberado ao cedente original, que se recusou a repassar ao cessionário.
Como evitar: Acompanhe o processo de homologação judicial da cessão, verificando se foi efetivamente comunicada ao tribunal competente.
Checklist: O Que Verificar Antes de Assinar
Para facilitar sua análise, use este checklist prático antes de assinar um contrato de cessão de precatório:
1. Sobre a empresa cessionária:
- Verificou o tempo de mercado da empresa
- Consultou a reputação em órgãos de proteção
- Buscou referências de outros cedentes
- Confirmou a regularidade fiscal e cadastral
2. Sobre o contrato:
- Identificação completa das partes está correta
- Descrição detalhada do precatório está precisa
- Valor e forma de pagamento estão claramente definidos
- Responsabilidades após a cessão estão especificadas
- Garantias oferecidas estão expressas
- Não há cláusulas abusivas ou condicionantes ocultas
3. Sobre a formalização:
- Definiu se será por escritura pública ou instrumento particular
- Confirmou quem arcará com as despesas cartoriais
- Entendeu o processo de comunicação ao tribunal
- Compreendeu como será feita a homologação judicial
4. Sobre aspectos financeiros:
- Comparou o deságio com outras propostas do mercado
- Calculou o valor líquido que receberá após todos os descontos
- Verificou se há taxas adicionais ocultas
- Confirmou o prazo exato para recebimento do valor
5. Sobre aspectos fiscais:
- Consultou especialista sobre tributação aplicável
- Entendeu suas obrigações fiscais após a operação
- Verificou se haverá retenções na fonte
- Confirmou como declarar a operação no Imposto de Renda
Glossário: Termos Técnicos Explicados
Para facilitar o entendimento, aqui estão alguns termos técnicos explicados em linguagem simples:
- Cessão de crédito: Transferência legal de um direito creditório de uma pessoa para outra.
- Cedente: Quem transfere o direito creditório (o titular original do precatório).
- Cessionário: Quem recebe o direito creditório (geralmente uma empresa ou investidor).
- Deságio: Diferença entre o valor total do precatório e o valor pago ao cedente.
- Homologação judicial: Reconhecimento formal pelo juiz da validade da cessão.
- Instrumento público: Documento elaborado por tabelião em cartório (escritura pública).
- Instrumento particular: Documento elaborado pelas próprias partes, sem intervenção de tabelião.
- Oponibilidade: Capacidade de fazer valer um direito contra terceiros.
- Trânsito em julgado: Momento em que a decisão judicial se torna definitiva, não cabendo mais recursos.
Conclusão: Tomando uma Decisão Informada
A decisão de ceder um precatório é pessoal e deve ser tomada com base em sua realidade financeira, necessidades e prioridades. Não existe uma resposta única sobre ser vantajoso ou não - depende da sua situação específica.
O mais importante é que você tome essa decisão com o máximo de informações possíveis:
- Conheça seu precatório: Situação atual, prazo estimado para pagamento, valor atualizado.
- Compare propostas: Busque diferentes ofertas no mercado.
- Analise cuidadosamente o contrato: Preferencialmente com ajuda profissional.
- Verifique a credibilidade da empresa: Faça uma investigação detalhada.
- Pondere alternativas: Considere cessão parcial ou outras opções.
Lembre-se: a pressa é inimiga de bons negócios. Tome seu tempo para analisar todas as condições antes de assinar qualquer documento. Um precatório representa um direito conquistado após anos de litígio judicial - não deixe que a ansiedade por receber logo o valor comprometa o resultado final da operação.
Se estiver considerando a cessão de seu precatório e tiver dúvidas sobre como proceder ou quiser uma análise personalizada da sua situação, converse com um especialista da Juspago. Nossos profissionais podem ajudar a avaliar sua situação específica e oferecer orientação personalizada, garantindo que você tome a melhor decisão possível.
Perguntas Frequentes
Posso desistir após assinar o contrato de cessão?
Em princípio, contratos são feitos para serem cumpridos. No entanto, o Código de Defesa do Consumidor prevê o direito de arrependimento em alguns casos, especialmente em contratos firmados fora do estabelecimento comercial, no prazo de 7 dias. Após esse período ou após a homologação judicial, a desistência torna-se muito mais complexa e pode gerar obrigação de indenizar.
Quanto deságio é considerado razoável no mercado atual?
Os deságios praticados variam conforme diversos fatores, mas geralmente oscilam entre 30% e 60%. Precatórios federais tendem a ter deságios menores (30-40%) por terem maior previsibilidade de pagamento, enquanto precatórios estaduais ou municipais podem chegar a deságios maiores (40-60%), especialmente de entes com situação fiscal comprometida.
A cessão precisa ser total ou pode ser parcial?
A cessão pode ser tanto total quanto parcial. Na cessão parcial, você transfere apenas uma porcentagem do valor do precatório, mantendo para si o direito sobre o restante. Essa pode ser uma estratégia interessante para quem precisa de recursos imediatos, mas não quer abrir mão de todo o valor futuro.
Preciso ter um advogado para fazer a cessão?
Não é legalmente obrigatório, mas é extremamente recomendável. A cessão de precatórios envolve aspectos jurídicos complexos e contratos com terminologia técnica. Um advogado especializado pode identificar cláusulas problemáticas, verificar a regularidade da operação e garantir que seus direitos sejam preservados.
Como verificar a situação atual do meu precatório?
A situação do precatório pode ser verificada no site do tribunal onde ele tramita. Cada tribunal tem seu próprio sistema de consulta, geralmente permitindo busca por número do precatório, CPF do beneficiário ou número do processo de origem. Neste artigo sobre como consultar precatórios, você encontra instruções detalhadas sobre como fazer essa consulta.
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Escrito por
Vitor CoelhoFormado em Administração pela Uniero e com Pós-Graduação em Gestão Executiva e Negócios pela Universidade Candido Mendes (RJ).